segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Meu trabalho

Não gosto de falar sobre meu trabalho. Peço sempre que me emprestem seus olhos e a partir daí os títulos e os rótulos ficam sob sua responsabilidade. Pinto pelo profundo desejo de me expressar nesta linguagem e o faço com naturalidade e introspecção. Meu trabalho é para fruição, desenvolvido especialmente para homenagear as cores e as formas.A vantagem de não ter rótulos é a utilização dessa linguagem como demonstração puramente estética. Evidentemente sou contaminada por experiências e vivências, boas e más, porém essa contaminação permite que eu escreva minha história de modo cada vez mais instigante e plural. No começo a timidez, minha arma e refúgio, era como uma grade que prendia meu sol. O aparente equilíbrio que valoriza sobremaneira os traços retos e as cores vivas, escondem a dificuldade de formalizar a transgressão oprimida. A forte presença das incisões geométricas evidencia limites a serem ultrapassados. A importância da estética formal, rigidamente contida dentro desses suportes, começa, sinto isso, a perder espaço para formas, caminhos e possibilidades menos “duras”, ou seja, o traço começa a apostar na diversidade com um roteiro menos contundente, ousando sair gradativamente do labirinto de retas e ângulos, penetrando vagarosa porem firmemente no esforço de utilizar outras formas e suportes porém ainda com o mesmo sotaque.
Enfim, esta santamarense entrega para todos os olhares seus trabalhos que contém suas dúvidas, emoções, dores, alegrias e amores para serem fruídos ao gosto do freguês.

Ivonete Moniz Pacheco
Salvador, 11 de novembro de 2008.

Um comentário:

maria guimarães sampaio disse...

Pô, Ivonete
quanto mais leio sua escrita mais fico feliz. Ah, não vamos esquecer no próximo ano sua inscrição de pintura ou escultura (lindas!) no TALENTOS DA MATURIDADE do Banco Real. Adoro ver conhecer RECONHECER os talentos de meus amigos. Você me comove a cada dia.
SUA AMIGA E FÃ MARIA SAMPAIO (em caixa alta, aos gritos!)