sexta-feira, 30 de julho de 2010

SEDUÇÕES DA LEITURA

Não é tão grave quanto parecia, nem irreversível, a crise de leitura no universo brasileiro. Esta verificação produz uma alegria de fundo emotivo: o País passou a ler mais, está fadado a pensar e agir melhor, após um período em que a contínua expansão populacional encolhia estranhamente o acesso ao clube do livro. O descompasso era atribuído mormente a deficiências do ensino e baixo poder aquisitivo.
Levantamento da Associação Nacional de Livrarias (ANL), ontem divulgado, informa que o número de lojas cresce. Não mais do tipo papelaria, senão livrarias autênticas, em que o livro bem acabado, a criatividade do espaço e o seu conforto fazem consumidores. A Bahia está bem na pesquisa: é a primeira em número de livrarias no Nordeste, e responde pelo sexto posto nacional.
Em média, o nível de leitura por habitante perfaz 1,9 livro por ano. É pouco em comparação com Argentina (5), Chile (3) e Colômbia (2,5). Mas para o pequeno e significativo avanço há de ter contribuído a oferta de livrarias modernas, misto de sala de leitura, café e ponto de encontro - um privilégio até aqui dos grandes centros. De qualquer maneira, há no Brasil 2.980 lojas de livros - 11% a mais do que em 2006.
A distribuição de livrarias não é aleatória. A iniciativa privada busca o retorno mais curto dos capitais, e nesse caso prioriza cidades e regiões de maior densidade demográfica, melhor padrão de renda e de educação formal. Não será à toa que o Sudeste tenha mais lojas, e que São Paulo possua o dobro do segundo colocado, o Rio de Janeiro. Muitas lojas complementam os livros com CDs, DVDs e demais atrações eletronicas.
Mudou o perfil do consumidor, mudou a estratégia mercadológica. A essas mudanças corresponde, na primeira infância e juventude, uma fome aberta de conhecimentos, curiosidade atiçada e aventuras espirituais - forças com que se transforma o indivíduo para melhor, e se adquire consciência crítica, e se firma a aliança do progresso.
Editorial A TARDE de 28.07.2010

Afinal, embora tímida, uma boa notícia.

5 comentários:

Bípede Falante disse...

Ivonete, mas ainda é muito pouco. Pouco mesmo.

Chorik disse...

Penso que continua sendo um público muito específico. Para atingir as camadas sociais de menor poder aquisitivo as bibliotecas seriam fundamentais.

Terráqueo disse...

Ivone, eu adoro ler, mas quase não tenho tempo. Na minha agenda diária, descontados os compromissos profissionais e de saúde, acabam sobrando 10 horas, para comer, dormir, fazer compras. A vida agitada, provavelmente faça que a maioria dos leitores tenham que se contentar com contos, pequenas novelas, ou com textos publicados na internet. Fica difícil poder dar continuidade a um romance de verdade. Acho que essa falta de tempo, é o grande causador de as pessoas lerem tão pouco.

Bípede Falante disse...

Terráqueo, grande parte das pessoas não lêem porque não querem. Eu sei o quanto é difícil arrumar um tempo diários, mas por que não usam os finais de semana, ou uma meia hora a cada dois dias. Para assistir as novelas ou o Big Brother, por exemplo, milhões de pessoas têm o tempo que for necessário. Eu acho que as pessoas não lêem porque não têm imaginação.

aeronauta disse...

Foi com muito tristeza que vi fecharem a Diliba, a Civilização Brasileira, a Siciliano. Aí nos chega a Saraiva; mas o que quero mesmo é a livraria Cultura.
Abraços.