terça-feira, 14 de abril de 2009

Solidão. Quietude. Na madrugada insone resolvo arrumar a mala da minha alma ancestralmente familiar. Desamarro devagar as duas tiras da mala de couro, meio gasta pelo uso mas tesa e flexível que nem a vara de pescar do meu avô.
Sempre me surpreendo : teve gente mexendo aqui!
Os pacotes de saudade aumentaram muito e tomaram grande espaço. As tristezas se espremem entre eles, se arrumando como dá. Os dois ou três pacotinhos de alegria estão lá no fundo misturados com os sonhos. O porta jóias do amor está aberto e vazio... Procuro em vão o envelope da esperança, tenho certeza de que o deixei aqui da última vez, mas não o encontro, alguém levou.
Separo para jogar fora dois ou três pacotinhos de mêdo, um saco de intolerância e aproveito para dar um brilho no estojo de amizades.
Cansada, fecho bem a mala, afivelo as duas correias e guardo-a embaixo da cama.
O esforço foi grande. O sono me vence.
Amanhã é sempre um outro dia!
Foto I.Moniz Pacheco

5 comentários:

aeronauta disse...

Ah que essas malas têm tanta coisa! E é sempre corajoso abri-las! Continue abrindo-as, Ivonete. Fiquei curiosa para saber o que mais tem lá.
Um abraço.

maria guimarães sampaio disse...

puta-que-pariu minha cumade, que texto! Você tá que tá. Pena que nosso secretário não seja habituée de blogs, adoraria que ele estivesse lendo, haveria de gostar. Ele sabe de suas escritas? Imprima alguns, dê a ele.
Bj ôto

maria guimarães sampaio disse...

eu de novo, seu comentário dos relógios lá no continhos... grande texto!

Edu O. disse...

Teve gente olhando aqui e se emocionando tanto! um beijo tia. esse aqui tem que ser muito forte, como o texto.

Anônimo disse...

Uma vez que teve coragem de jogar fora alguns pacotes, será fácil fazer crescer os saquinhos de alegria que, como consequencia, trazem de volta a esperança que algum desocupado levou. Se não souber como, me pergunte. Bjs.NZ