domingo, 10 de maio de 2009

Não tenho pai, não tenho mãe, não tenho filhos. O Espírito Santo também parece que não é muito chegado. Mas vivo assim mesmo e relativamente bem.
Um domingo como esse, já consigo tirar de letra há tempos. Mãe, tive duas. Ambas extraordinárias, cada qual no seu quadrado. Do dia de hoje sobram lembranças de almoços fartos e barulhentos, com crianças arengando pelo meio. Às vezes dá uma pontinha de melancolia. Nada que não possa ser curado com a recusa (de véspera) aos generosos convites bem intencionados para almoços em família, com os telefones providencialmente desligados e o mergulho no atelier (basta atravessar um pequeno quintal). Lá, com meu companheiro Thomé de Souza a dormitar em baixo da mesa, com os olhos mais doces que já fitei, a suplicar um carinho, fico até que a noite começa a entrar pelas janelas. Acendo as luzes, termino o que geralmente rendeu dois ou tres projetos já com uma loura gelada e sempre com boa música.
Ao entrar em casa para almoçar/jantar vejo que já está quase na hora de dormir e concluo: é, de novo não doeu! Mas, "é a vida minha tia"...
Foto I. Moniz Pacheco

4 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Minha Cumade, lindo e emocionante texto. V. sabe, choro logo.
Eu saio feliz, de rabo abanando, para um dos convites que você também recebe. No tempo em que eu não tinha esta nossa família... Hoje RodoMary foi lotada, todos às gargalhadas. Daquele jeito cheio da alegria minha mãe.
Beijo ôto de sua cumade

Chorik disse...

Estar em paz consigo é escudo anti-dor. E Thomé de Souza é anti-melancolia.

aeronauta disse...

Eu poderia ter escrito esse texto, Ivonete. Me sinto assim a vida inteira.

Ari disse...

Delícia, Ivonete.