segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Chegou assim de repente. E pelo arriar das malas, prá ficar. Instalou-se sem cerimônia e num piscar de olhos, mudou tudo. Naquele tempo, achava ela, tudo se transformou para melhor. Boba, mal sabia ela que tudo ficou melhor sim, mas só para ele: começou mudando os móveis, depois os horários, agora eram as horas dele; depois os pequenos e gostosos hábitos por ela adquiridos há anos foram trocados por novos costumes bastante diferentes e chatos; os amigos de antes foram desaparecendo e aos poucos foi chegando uma gente espaçosa, deselegante, ruidosa...
Quando ela viu a casa era outra, de alguém que não era ela. Mas e ela, quem era agora? Não se reconhecia mais. Era apenas uma boneca levada de um lado para outro, até que foi ficando esquecida num canto, simples espectadora a assistir às mais novas alegrias dele e às novas e genuínas tristezas dela!
Foto e trabalho I.Moniz Pacheco
Acrílica sobre tela 0,25x0,25.

7 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Minha comadre, este texto é simplesmente deslumbrante.

Lucia Alfaya disse...

Tô cum ódio do sujeito! Vamos juntar uma turma e botá-lo pra correr? Não me canso de ler seus textos, que me causam emoções inesperadas e verdadeiro deslumbramento. Mais uma vez, parabéns!!!

Bípede Falante disse...

Minha mãe dizia que a nossa casa era ela: a mãe. A casa é a mãe. Por muito tempo, aceitei. Depois, descobri que a casa sou eu. A casa é de todos e de cada um. A gente está sempre voltando para casa, para a gente que há na gente e será sempre um erro viver ou voltar para uma casa que seja outro.

Nilson disse...

Grande contito! Uma história em algumas pinceladas!

Chorik disse...

Beleza de continho. A perda de identidade em certos relacionamentos é muito triste, mas acontece.

Janaina Amado disse...

Mas que sujeito abusado!
Lindo, o quadro.

Edu O. disse...

minha tia, conheço tantas iguais a ela!!!