segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A conservação e a memória
Como definição acadêmica, museus são organizações culturais que se prestam à conservação de objetos que são referencias de atitudes artísticas, fenômenos da natureza, descobertas científicas e intelectuais da humanidade. O Conselho Internacional de Museus, o Icom, na Assembléia Geral de Copenhagen, em 1976 definia: "Museu é uma instituição permanente sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento e aberto ao público, que adquire, conserva, pesquisa e exibe para finalidades do estudo, da educação e da apreciação, evidencia material dos povos e seu ambiente". Assim, pode-se ainda incluir zoológicos, aquários, jardins botânicos, planetários e parques nacionais.
Existem várias categorias de museus: artes visuais, arqueologia, antropologia, etnologia, história cultural, tecnologia, história natural, industriais, agricultura, geologia e museus ao ar livre.
... O principal objetivo de um museu é exercer a comunicabilidade entre acervo e atuações paralelas com o grande público, buscando aproximações entre indivíduos e a arte, humanizando condutas e a constante compreensão entre as mudanças que se misturam na existência e as pessoas. Convém aos museus um tempo trinitário: passado, aqui-e-agora e as possibilidades do futuro. O futuro é formado de metas, reflexões pertinentes sobre possibilidades em que a comunidade e criadores se aproximem de suas missões, especialmente construções de identidade e cultura. Os museus, às vezes, assustam o público que por falta de informação não se aproxima. Pelo contrário, se retrai por medo de posturas imperativas ou por não se sentir capaz de entender a arte. O povo gosta de cultura, não gosta de se sentir excluído. Os museus não buscam, como deveriam, o grande público. O status de um museu é sua capacidade de aglutinar a comunidade em seus espaços. O esforço para criação de um público cativo e interessado passa por atitudes simples, cativantes, na humanidade das intenções. Não na arrogante postura de que cultura é privilégio para poucos.A atualidade firma a cultura como um grande ideal, dissipando diferenças entre povos, ganhando uma outra realidade, mais igualitária e humana, no intercâmbio das diversas estéticas e encontros. No Brasil, a divulgação do que acontece em cada museu é pífio e, geralmente, tão distanciado que não aglutina.
Um museu é aparelho que deve ter dinamismo, quando se discute arte em processos de debates, seminários, palestras, congressos, exposições de acervos e temporárias, sem preconceito das formas de expressões. A arquiteta italiana Lina Bo Bardi, naturalizada brasileira, tinha o conceito inovador, quando há 50 anos criava o Museu de Arte Popular, no Solar do Unhão, e sua notável exposição Nordeste. Mais tarde, em São Paulo, em 1969, A mão do povo brasileiro, no Masp dissipava a hipocrisia vigente. Nosso espírito nativo é História. Preconceito vem mais das desinformações que do conceito. O conceito é pensado, cerebrotônico, dentro de dados de realidade. Um museu, especialmente os de artes plásticas, necessitam de boas bibliotecas, museólogos, restauradores, pesquisadores, conselho curatorial, setor de documentações, arquitetos, montadores, equipes de iluminotecnia, pessoal de manutenção e projeto de aquisições de novas obras, que atualizam e provocam novos interesses. Convém disponibilidade na internet da programação. Quem vai a qualquer cidade quer conhecer museus e, muito mais importante, quem é daquele local deve conhecer seus museus.
Museu é centro de referencia e memória e cabe a consciência de seu lugar na cultura, sua profunda influência na memória individual e coletiva, a permanência e proteção do patrimônio material e intangível. Museu tem diversas funções e o novo não é o "excêntrico novidadeiro" para formar opiniões distorcidas da contemporaneidade. Se "Todo o poder emana do povo" como reza nossa constituição, o alvo dos museus deveria ser o povo.
Cesar Romero
Jornal Correio-Salvador, 31.01.2010.

3 comentários:

Lucia Alfaya disse...

Concordo em gênero, número e grau com Cesar Romero. Os museus precisam realmente descer do pedestal e cumprir sua missão de levar arte para o povo. Cultura nunca é demais e a emoção transmitida pela arte atinge todos os corações.

maria guimarães sampaio disse...

ái os museus da bahia que sequer cuidam de sua própria história. ái os museus da bahia cuja peças evaporam como éter.

Bípede Falante disse...

Ivonte, sem dominar esse teclado e com uma conexao muito ruim, passei aqui soh para dizer que estou amando a sua Bahia!!!