terça-feira, 5 de abril de 2011


Vívido. Incessante. Lateja em mim o desejo cego, surdo aos apelos do senso crítico que luta por um lugar ao sol.

Gritos sobem pela garganta e emudecem em minha língua.

Fiz dos braços anzóis e das pernas âncoras no intuito de te prender.

Os olhos vagueiam no horizonte buscando uma luz que apague o fim.

As mãos, alheias ao turbilhão, desenham frágeis ondas nos cabelos finos da minha imaginação.

Palavras brotam do vácuo e atordoam meu silêncio incurável.

Tudo me impele ao vôo mas permaneço estática, pele nua contra o frio chão.

Me perturba essa sensação de pertencimento ao nada e que corresponde ao estrangeirismo onde quer que eu esteja.

Suo bílis. Verto sangue. Vomito lágrimas. Prego loucuras. Acredito em mentiras. Tenho dó e nojo. Gozo e sonho. Acordo morta.

Trabalho e foto I.Moniz Pacheco

7 comentários:

Nilson disse...

Esse veio de dentro, das vísceras. Veio forte. Você escreve cada vez melhor e mais intensamente, Ivonete!

Bípede Falante disse...

Reconheço-me tanto nesse texto.
Beijos

Edu O. disse...

com saudade de vir aqui

Moniz Fiappo disse...

Nilson,
Um elogio e tanto vindo de meu poeta preferido.

Moniz Fiappo disse...

Bípede,
Temos alguma simbiose nos escritos. Também me vejo muito nos seus textos.
Beijo

Chorik disse...

Que poema intenso! Cada verso um jogo interessante de ideias e palavras. Adorei.

Bj

Lucia Alfaya disse...

Das profundezas do ser surge a fênix em forma de versos, mostrando toda a sua força e solidão!